Burocrático, mas eficiente e consistente

O futebol burocrático das equipes comandadas pelo técnico Tite é uma das características da Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo de 2018. E, ao menos por enquanto, vem dando resultado. E, o que é mais importante: mostrando cada vez mais consistência defensiva, eficiência no ataque e muita paciência para encontrar espaços nas defesas adversárias.

Foi assim nos três últimos jogos, todos vencidos por 2 a 0, inclusive nesta segunda-feira, contra o México, com os dois gols saindo no segundo tempo. Neymar fez o primeiro e participou da jogada do segundo, feito por Roberto Firmino, que cada vez mais vem ganhando espaço no time de Tite.

O fato é que o Brasil está nas quartas de final da Copa. E, independente de quem venha a ser o adversário – Bélgica ou Japão, o time canarinho é favorito.

O time praticamente não é ameaçado em campo. Os adversários não conseguem criar oportunidades de gol, a exemplo do que foi o México nesta segunda. No final das contas, a defesa brasileira sempre se saía melhor.

Vejo esse time cada vez mais pronto para ser campeão. E, como diria Zagallo na Copa de 1994, “só faltam três”, em relação aos três jogos restantes para ser campeão.

*****

A notícia ruim para o Brasil foi o segundo cartão amarelo do volante Casemiro, de São José dos Campos. Assim, ele está suspenso do próximo jogo. Um desfalque e tanto. Titular absoluto e jogador de confiança de Tite, ele vai fazer falta. Mas, com certeza, Tite vai conseguir uma maneira de suprir isso. O Brasil tem bons jogadores em todas as posições.

Neymar comemora o primeiro gol do Brasil contra o México. Foto: Fifa/Divulgação

Emoção de sobra na classificação da Croácia

Dois gols nos primeiros cinco minutos. Um jogo arrastado no tempo normal e uma prorrogação dramática. Assim foi a partida entre Croácia e Dinamarca, onde os croatas acabaram se classificando nos pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo normal.

O jogo foi bastante equilibrado, com poucas chances para cada lado. E o craque Modric, um dos grandes nomes do futebol croata, se livrou de sair como ‘vilão’. Após perder um pênalti no final da prorrogação, que poderia dar a vaga ao país, teve personalidade e sangue frio na hora da decisão por pênaltis, cobrou, marcou e ajudou o time.

Na prática, a justiça foi feita, já que a Croácia tinha melhor campanha, estava com 100% de aproveitamento e tem um time mais consistente.

Agora, nas quartas de final, haverá um duelo do leste europeu contra a Rússia, dona da casa. Um jogo interessante, onde ao menos uma dessas duas surpresas vão estar entre os quatro melhores do mundo.

E a Croácia tem a chance de ao menos repetir o feito da Copa de 1998, quando chegou às semifinais, ficando em quarto lugar no geral.

E a Dinamarca, que fez um futebol fraco na fase classificatória, teve que se contar em ficar com as oitavas de final.

Modric perdeu pênalti para a Croácia na prorrogação. Foto: Fifa/Divulgação

Rússia é mais competente; Espanha é grande decepção

A Rússia, quem diria, eliminou a favorita Espanha, nos pênaltis, e garantiu vaga nas quartas de final da Copa do Mundo, para a alegria dos donos da casa, após empate por 1 a 1 no tempo normal e 0 a 0 na prorrogação. Depois de Alemanha e Argentina, mais uma potência está eliminada do Mundial.

Em campo, os espanhóis dominaram a partida, tiveram 75% de posse de bola, mas faltou objetividade para matar o jogo depois que abriu o placar. E Piqué ainda, de forma infantil, abriu o braço dentro da grande área, colocando na bola e fazendo pênalti, que gerou o empate na única conclusão certa a gol dos russos em 120 minutos de bola rolando.

E, na decisão por pênaltis, os donos da casa foram mais eficientes. Acertaram todas as cobranças, enquanto a Espanha errou duas. Agora, os donos da casa estão classificados e aguardam pelo vencedor de Croácia e Dinamarca.

Acho difícil a Rússia brigar pelo título. Mas não seria impossível imaginar os donos da casa chegando às semifinais. Já a Espanha, campeã mundial em 2010, fracassa mais uma vez – em 2014 havia sido eliminada na primeira fase. Agora, caiu nas oitavas de final.

********************

Se para os russos o momento é de festa, para os espanhóis é o fim de um ciclo. Última Copa de Iniesta, um dos maiores jogadores da história do país e autor do gol do título contra a Holanda na Copa da África do Sul, em 2010.

Agora, é hora dos espanhóis repensarem o futebol da Seleção. A eliminação, de certa forma, é uma punição pela lambança às vésperas do Mundial, quando o time demitiu o técnico Lopetegui, que havia acertado com o Real Madrid, e efetivou Fernando Hierro, com pouquíssima experiência como treinador.

Em campo, a Espanha ficou devendo. Na primeira fase, somou 5 pontos, com uma vitória (sofrida, por 1 a 0, sobre o Irã) e os empates com Portugal e Marrocos. Aliás, contra os eliminados marroquinos, a Fúria teve grandes dificuldades e quase saiu de campo derrotada.

Os russos festejaram muito a classificação. Foto: Fifa/Divulgação