Taubaté: chance de vaga é real!

O Taubaté visita o São Bento nesta terça-feira, fora de casa, às 21h30, no jogo de volta das quartas de final da Série A-2. No jogo de ida, em casa, o Burro da Central não conseguiu abrir vantagem e ficou no empate sem gols. Agora, precisa vencer fora de casa para avançar. Ou empatar para levar a decisão para os pênaltis.

Porém, mesmo contra um adversário com investimento mais alto, o Taubaté pode sim sonhar com a vaga. Arrancar um empate em Sorocaba e vencer nos pênaltis não é nenhum absurso.

O time taubateano é bom. Tem jogadores qualificados e tem um técnico muito experiente, acostumado a este tipo de jogos. E, com a arbitragem deixando de marcar um pênalti escandaloso no jogo de ida que poderia ter dado a vitória ao Burrão, certamente os jogadores vão entrar em campo com a faca nos dentes.

Até agora, nestas quartas de final, ninguém teve facilidade. O favorito São Bernardo sofreu para eliminar o Juventus, o São Caetano, idem com o Monte Azul (nos dois casos as vagas só vieram nos pênaltis) e o XV de Piracicaba surpreendeu a Portuguesa, vencendo os dois jogos.

Por que não o Taubaté vencer o São Bento em Sorocaba? Como disse, é totalmente possível e, se isso acontecer, não vai ser nenhuma zebra.

Burrão tem que fazer o dever de casa

Foto: Caíque Toledo

O Taubaté inicia o mata-mata da Série A-2 nesta terça, contra o São Bento, em duas partidas. Contra um adversário que disputa a Série C do Brasileiro e que conta com um investimento maior, o Burro da Central não terá facilidades.

Assim, se quiser brigar pela vaga, terá que fazer o dever de casa logo mais, às 15h, no Joaquinzão. O saldo de gols é importante, mas a equipe não pode se desesperar. É preciso ter em mente que, se tomar um gol, a situação se complica muito. E, se vencer por 1 a 0, por exemplo, já terá a vantagem do empate na volta e toda a pressão ficará por conta do adversário.

Vejam o caso da Portuguesa: com melhor campanha que o XV de Piracicaba, terá que vencer o jogo de volta para avançar, após perder fora de casa na segunda-feira por 3 a 2. Imaginem a pressão no Canindé.

E o Taubaté sabe disso. Assim, uma vitória mínima que seja logo mais, já joga a pressão toda para cima do São Bento.

Ainda entendo que, apesar das duas derrotas seguidas nas duas últimas rodadas, o Burrão tem um time muito qualificado, cascudo e com credenciais para brigar pelo acesso. Mas, como disse, precisa ter cautela em campo.

Desde 2016, quando voltou à Série A-2, o Taubaté nunca conseguiu passar das quartas de final. Agora, quem sabe, não chegou a hora de mudar essa história?

E, indo para a semifinal, ficariam restando apenas dois jogos para o tão sonhado acesso. O time está na briga.

Taubaté: bom termômetro para a retomada

Foto: Caíque Toledo

O Taubaté vai entrar em campo nesta quarta-feira, contra o Red Bull (não o Bragantino, mas o de Campinas). Foram cinco meses de espera — destes, quatro sem sequer poder treinar. A volta do futebol no interior é uma total incógnita, já que muitos times perderam jogadores e até mesmo perderam o embalo natural da competição.

Mas, para o Burro da Central, será um importante termômetro para saber em que nível o time vai voltar na Série A-2 do Campeonato Paulista. A boa notícia para os torcedores é que não teve debandada de atletas. O Taubaté perdeu três jogadores — um deles era reserva — e ainda contratou mais um.

Fisicamente, segundo a comissão técnica, o time está bem desde a volta aos trabalho. Resta ver como vai se portar em campo. E o adversário de logo mais luta contra o rebaixamento, é um time formado por atletas de base e que continua existindo apenas por uma questão protocolar.

Se todas as expectativas de cumprirem, o Taubaté vence o jogo e pode até assumir a liderança, já que o São Bernardo, que tem um ponto a frente, encara um sempre complicado clássico regional contra o São Caetano.

Agora, é a hora de ter noção da real situação do Burro da Central após a volta do campeonato. Entendo que o torcedor tem de tudo para ficar otimista.

Além do time ser bom, ainda tem uma diretoria que demonstra dar respaldo. E tem um gerente de futebol, Carlos Arini, acostumado a vencer e que é atuante no dia a dia dos clubes onde trabalha. Com ele, não tem ‘chinelinho’, não tem ‘migué’, não tem ‘corpo mole’. Conhece muito bem o mundo do futebol. Ou joga ou não joga. E quem trabalha com ele sabe que precisa dar 110% de esforço.

Pressa para retomar o futebol coloca saúde em risco

Os dez jogadores do Goiás testados positivos para coronavírus, que causou o adiamento (em cima da hora) do jogo contra o São Paulo, no domingo, já coloca em xeque logo de cara a segurança sanitária dos atletas e pessoas diretamente envolvidas com o futebol. E mostra também um total absurdo em só divulgar os resultados horas antes da partida. Os jogadores do São Paulo entraram em campo e só foram avisados do adiamento momentos antes da partida.

Com mais de 1.000 mortes por dia no Brasil, não era hora de retomar o futebol. Mas, já que retomou, a segurança deveria ser redobrada. Se dez jogadores testaram positivos em um único time, alguma coisa está errada.

Se é para voltar, que sigam com rigor os protocolos de segurança. Os jogadores precisam ficar em casa quando não estiverem treinando.

Duvido que, se aumentarem os casos, terão coragem de paralisar o Campeonato Brasileiro. Mas é preciso responsabilidade.

O caso do Goiás acendo o sinal de alerta — não só no futebol — mas na sociedade de uma forma geral. Esse caso é um exemplo do risco que corremos no dia a dia quanto à contaminação.

O hospital Albert Einstein, responsável pelos testes, deveria entregar dentro do horário e data combinados. Para não ocorrer esses problemas que ocorreram no domingo.

E a demora também para adiar a partida foi surreal. Se, logo cedo, no domingo, já se sabia dos contaminados, deveriam já ter cancelado o jogo. E não esperar o São Paulo entrar em campo, fazer a preparação e depois o jogo ser cancelado.

Na Europa, os protocolos deram certo. E os campeonatos seguiram de forma tranquila. Por aqui, nos estaduais também não deu muito problema, mas no Brasileirão, que tem jogos em vários estados, com deslocamentos maiores, os problemas maiores poderão surgir.

Que a CBF, responsável pela organização do Brasileirão, tenha bom senso e aumente o rigor dos protocolos de segurança sanitária.

Futebol é maravilhoso, mas a nossa vida é muito mais importante neste momento.

Palmeiras, campeão com mérito e com a mão de Luxemburgo

O torcedor palmeirense está em festa. E não é para menos. Embora muitos não valorizem o Campeonato Paulista, este título teve um sabor todo especial para os torcedores alviverdes e para a história do clube. Pela primeira vez, o Verdão foi campeão em cima do Corinthians dentro de seu próprio estádio – se perdesse, os corintianos festejariam o segundo título no Allianz Parque.

E, mais: o Palmeiras, com essa conquista, evitou um inédito tetracampeonato estadual do seu maior rival. Além disso, o Verdão quebra um incômodo jejum de 12 anos sem conquistar o título do Campeonato Paulista e já garante ao menos um caneco em 2020 – o último havia sido no Brasileirão de 2018.

E o clube acaba fazendo renascer o técnico Vanderlei Luxemburgo, multicampeão na década de 1990, mas que nos últimos anos estava em baixa. A atitude dos jogadores palmeirenses em campo no jogo de volta das finais teve grande motivação do treinador, acostumado com esse tipo de finais.

Ainda assim, pelo investimento que tem, o Palmeiras jogou muito abaixo do que poderia e ainda quase colocou tudo a perder com um pênalti nos acréscimos. Porém, na decisão pelas penalidades máximas, o Verdão levou a melhor e com destaque para Patrick de Paula, jovem jogador que teve a responsabilidade da quinta e última cobrança, que deu o título os palmeirenses.

Com a conquista, o Palmeiras tira um peso das costas e entra animado no Campeonato Brasileiro, além da sequência na Libertadores em setembro.

Por outro lado, o Corinthians não pode abaixar a cabeça. Como disse o presidente Andrés Sánchez após a partida, a temporada ainda não acabou. E o Timão ainda tem a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro pela frente.

Apesar das dificuldades contra o Palmeiras na final, a equipe alvinegra não perdeu dentro de campo. Aliás, são seis jogos de invencibilidade após a quarentena. E com apenas um gol sofrido. E com o atacante Jô mostrando que não perdeu o faro de gols. Isso é importante ressaltar.

O Corinthians de Tiago Nunes é competitivo. E, como já disse anteriormente, pode surpreender no Brasileirão, pois tem um estilo de jogo parecido com 2017, nos tempos do técnico Fabio Carille. E em um torneio de mata-mata, como a Copa do Brasil, também entra muito forte.

Brasileirão começa com Flamengo favorito; Grêmio, Palmeiras e Corinthians correm por fora

Maracanã

Vai começar o Campeonato Brasileiro 2020. Não da forma como gostaríamos, já que estamos em plena pandemia de coronavírus e com mais de 1.000 pessoas morrendo por dia no país por conta da doença. Mas, no paralelo mundo do futebol, com os estádios vazios, a bola vai rolar. E, dentro de campo, o Flamengo já começa o torneio como amplo favorito ao segundo título consecutivo.

Tecnicamente, a equipe carioca é muito superior aos demais clubes. Claro que muita coisa pode acontecer. Até mesmo o novo técnico, Domenec Torrent, pode não dar ‘liga’ e a equipe naufragar na competição. Porém, é pouco provável. E, quem quiser brigar pelo título com o rubro-negro, vai ter que lutar pelos três pontos desde o início, com o máximo de aproveitamento. Quem quiser chegar na frente, não vai poder se dar ao luxo de colocar reservas nas primeiras rodadas para ir buscar depois. Aí, o Flamengo provavelmente já vai ter disparado.

Quanto aos possíveis concorrentes, entendo que o Grêmio hoje é o clube que tem mais potencial de brigar, mesmo perdendo o atacante Everton Cebolinha para o Benfica de Portugal. Mas o clube gaúcho, que mantém a mesma base há cinco anos, é um time bem entrosado e que parece sempre jogar com a ‘faca nos dentes’.

O Palmeiras, que no ano passado não conseguiu nem chegar ao vice-campeonato, desta vez está ainda mais enfraquecido. Mesmo com uma base mantida e com bons jogadores, perdeu Dudu, sua principal referência, e ainda não mostrou um futebol convincente neste atípico ano de 2020. Mesmo com o alto investimento, não inspira tanta confiança em campo.

Outro que pode surpreender e brigar em cima é o Corinthians. Apesar do início ruim na temporada, o time do técnico Tiago Nunes ganhou corpo e, independente do resultado da decisão do Campeonato Paulista (a coluna está sendo escrita antes da partida), é um time que merece respeito. Vejo o alvinegro hoje exatamente como estava em 2017, com Fabio Carille, quando tinha um futebol defensivo consistente e que acabou sendo campeão brasileiro com folga – embora muitos duvidassem.

Muito se fala do Atlético-MG, que investiu pesado e de forma até arriscada nesta temporada. Mas, apesar do excelente técnico Jorge Sampaoli, não vejo o Galo com poder para desbancar o Flamengo e nem mesmo Grêmio ou Palmeiras. As contratações foram muitas, mas não tem jogadores realmente de peso. Falta um atacante mais qualificado, por exemplo, e a defesa se mostra altamente instável, como tem sido no Campeonato Mineiro.

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Entre os demais times paulistas, o São Paulo e o Santos se mostram distantes da briga pelo título. O Tricolor do Morumbi parece não ter confiança e, como já disse antes, se mostra um time ‘sem alma’ dentro de campo. O trabalho do técnico Fernando Diniz está longe de empolgar os torcedores e, se a equipe brigar por vaga na Libertadores, já vai ser uma grande conquista.

O Santos vive uma das piores crises internas de sua história. O vice-campeão brasileiro do ano passado perdeu o técnico Sampaoli e não deu certo com Jesualdo Ferreira. Agora, aposta novamente em Cuca que vai para sua terceira passagem pelo clube e tenta reerguer o Peixe. A equipe perdeu também muitos jogadores importantes e se mostrou bem abaixo dos rivais no Paulistão. O Santos, um clube gigante em todos os aspectos, este ano vai precisar contar muito com o peso da camisa para evitar uma campanha vexatória. Ao menos é o que parece neste início de competição.

E, para finalizar, não podemos deixar de falar do Red Bull Bragantino. Com investimento pesado, volta à elite nacional depois de 22 anos. E o vice-campeão brasileiro de 1991 é o novo milionário do futebol brasileiro. Pode fazer, sim, uma boa campanha, já que tem um elenco bem montado e encorpado. Mas, neste começo, não acredito que possa brigar por títulos. Mas certamente vai dar trabalho aos grandes.

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E, finalizando, entre os outros clubes considerados grandes do futebol brasileiro, não vejo nenhum deles em condição de brigar por títulos. Vasco e Botafogo estão com times muito abaixo da média dos demais e correm o risco de brigar na parte de baixo da tabela. O Fluminense, que está um pouco acima, conta com o competente técnico Odair Hellmann, que fez grande trabalho no Internacional e poderá ajudar o Flu. Mas longe de brigar pelo título do Brasileirão. Não tem elenco para isso.

E o Internacional de Porto Alegre, apesar do técnico Eduardo Coudet, que é bastante capacitado, não tem um elenco à altura de vestir a camisa do clube que em outros tempos já desbancou o poderoso Barcelona. Assim como o São Paulo, se o Colorado conseguir uma vaga na Libertadores, já vai ser de grande tamanho pelos jogadores que têm atualmente.

Timão mais encorpado e emocionalmente mais seguro para a final

Corinthians e Palmeiras iniciam nesta quarta-feira mais uma final de Campeonato Paulista. Certamente, mais um jogo tenso e muito disputado. Dizem que em clássico não há favoritos. Entendo que nem sempre é assim. E, ainda mais: nem sempre o fato de ter um elenco teoricamente mais qualificado é garantia de uma grande apresentação.

No papel, o Palmeiras tem um time mais entrosado e mais caro do que o do Corinthians. Mas, após a perda de Dudu, justamente a sua principal peça, o Verdão perdeu muito. E o Timão, mesmo com grande reformulação, parece ter ‘encaixado’ sob o comando de Tiago Nunes.

O Corinthians vem de quatro jogos sem tomar gol. Está sólido na defesa e eficiente no ataque. Contra o Bragantino, nas quartas de final, mostrou maturidade, personalidade e tranquilidade. E, além disso, vem de três títulos estaduais consecutivos. A equipe alvinegra está jogando em um padrão muito parecido com o que fazia nos tempos recentes de Fabio Carille ou até mesmo na primeira passagem de Mano Menezes, quando era muito difícil fazer um gol no Timão.

Vejo o Corinthians emocionalmente mais tranquilo e seguro para estas finais. É como se não tivesse tanto o peso e a responsabilidade de ser campeão, embora a cobrança também seja grande.

O jogador Marcos Rocha, da SE Palmeiras, recebe camisa em comemoração aos 100 jogos pelo clube, após treinamento, na Academia de Futebol. (Foto: Cesar Greco)

No Palmeiras, ao contrário, o ambiente em campo é mais tenso. O time, mesmo bem qualificado, ainda não fez atuações convincentes e ainda perdeu para o próprio Corinthians na primeira fase. E, como vem de outros fracassos recentes contra o Timão, a pressão sobe ainda mais.

E, outra: o Verdão passou o ano de 2019 todo em branco, sem títulos. E, com tanto investimento, a cobrança é gigantesca pelos resultados. Enquanto o Corinthians busca o quarto título seguido, o Palmeiras tenta quebrar um tabu de 12 anos sem levantar o caneco no Paulista.

Vejo, sim, o Corinthians como favorito a conquistar o título, embora em Itaquera o discurso seja de jogar a responsabilidade para o rival, se auto declarando como ‘quinta força’, estratégia parecida no ano passado. E que deu certo.

Genialidade ao melhor estilo Ayrton Senna

Digo e repito: Ayrton Senna é o maior piloto de automobilismo de todos os tempos. Não é achismo. É fato. Por tudo o que ele fez a bordo de seus carros ao longo da carreira. Vencer uma corrida com apenas uma das seis marchas funcionando nas últimas sete voltas, com câmbio manual, superando um concorrente com câmbio automático, foi um momento único, histórico e que, desde1991, fica na memória da Fórmula 1.

Neste último domingo, dia 2 de agosto, outro gênio (e que é fã de Ayrton Senna, diga-se de passagem), conseguiu também um feito que, embora de menores proporções, lembra um pouco o que o brasileiro fez em Interlagos há 29 anos.

Lewis Hamilton, hexacampeão mundial, dono de 87 vitória até agora e rumo a superar os números de Michael Schumacher, teve uma atuação de gala. E, também, dentro de casa, em Silverstone, na Inglaterra.

Depois de dominar a corrida inteira, com uma liderança tranquila, sem ser ameaçado, viu seu pneu dianteiro esquerdo se deteriorar na última volta. A poucos metros do final, conseguiu se manter na pista de forma espetacular e, mais do que isso: não permitiu a aproximação do holandês Max Verstappen, o segundo colocado, que vinha ‘babando’ atrás. Outros pilotos tiveram o mesmo problema na reta final da prova, como Valtteri Bottas e Carlos Sainz. Mas, vencer uma corrida com o pneu furado, foi algo inédito na história da categoria. E Hamilton mostra toda sua superioridade técnica em relação aos demais e parte rumo a mais um título na carreira.

Definitivamente, foi uma corrida para entrar para a história, marcada como um dos grandes feitos de um piloto de Fórmula 1.

Uma era desastrosa no Morumbi

Rubens Chiri/SPFC

Torcer para o São Paulo, nesses últimos anos, não tem sido uma tarefa fácil, principalmente para os mais apaixonados pelo clube do Morumbi. Ganhar e perder, faz parte. Ficar um certo tempo sem ser campeão, também faz parte. Porém, há muitos anos, o São Paulo parece um clube sem alma. Depois de conquistar o tricampeonato brasileiro de forma espetacular em 2006, 2007 e 2008, o Tricolor sucumbiu. Até ganhou uma Copa Sul-Americana em 2012, mas nem o próprio torcedor ressalta tanto essa conquista.

Nestes últimos anos, foram vexames atrás de vexames. O São Paulo chegou a correr risco de rebaixamento no Brasileirão em duas oportunidades — se salvando na reta final.

Nos clássicos contra os rivais, então, é sofrimento garantido na maioria das vezes. Perder de 6 a 1 para os reservas do Corinthians, em 2015, foi catastrófico para a história do clube que é tricampeão da Libertadores e tricampeão do mundo. Isso sem contar as derrotas constantes contra Palmeiras e Santos. Difícil para o torcedor aceitar.

O São Paulo não consegue se ajustar. No papel, hoje, tem um time até bom, com jogadores como Juanfran, Daniel Alves, Pablo e Alexandre Pato. Mas não emplaca. Em 2018, fez um ótimo Brasileirão com o técnico Diego Aguirre. Porém, a diretoria cedeu às pressões e demitiu o treinador, mais uma vez interrompendo o trabalho.

Agora, resolveu apostar no contestado Fernando Diniz, que assumiu no ano passado e, na prática, nunca convenceu. Perder em casa para um desfigurado Mirassol, levando três gols da equipe do interior, é inadmissível para um gigante do futebol mundial.

Este ano tem eleição no clube. A atual gestão de Carlos Augusto de Barros Silva, o ‘Leco’, é desastrosa. Como já havia sido de Carlos Miguel Aidar, seu antecessor. O lendário Juvenal Juvêncio deixa saudades para o torcedor são-paulino.

O São Paulo não ganha um Campeonato Paulista desde 2005. São 15 anos e, agora, vai para 16. É muita coisa. Nos clássicos, o time parece não ter a gana dos outros tempos. Raí foi um grande craque dentro de campo e um dos jogadores mais importantes da história do clube. Mas,como dirigente, até agora tem se mostrado mais do mesmo em relação aos anteriores dos últimos anos.

O Campeonato Brasileiro de 2020 está aí. E é difícil acreditar que o São Paulo possa brigar na parte de cima. E, na Libertadores, onde já perdeu até para o desconhecido Binacional do Peru, se bobear, corre o risco de cair já na primeira fase — no ano passado, já repetiu o feito do Corinthians e caiu na pré-Libertadores.

O São Paulo precisa de uma gestão séria, sem politicagem. Como era nos anos 80 e 90, quando o clube era tido como um modelo a ser seguido. Enquanto tiver vaidade interna, vai ficar difícil. E o torcedor do Tricolor é quem sofre.

Responsabilidade para São Paulo e Palmeiras no mata-mata

Rubens Chiri/saopaulofc.net

São Paulo e Palmeiras são os dois primeiros grandes do estado a entrarem em campo nesta quarta-feira, pelas quartas de final do Campeonato Paulista de 2020. O Tricolor, às 19h, recebe o Mirassol no Morumbi. Mais tarde, às 21h30, o Verdão recebe o Santo André no Allianz Parque.

A situação dos dois clubes é parecida: ambos têm melhor campanha do que os adversários, ambos têm times bem melhores, ambos têm que mostrar evolução no futebol dentro de campo e são justamente os dois clubes que estão há mais tempo sem ganhar o Estadual.

O São Paulo, do técnico Fernando Diniz, que completa 15 anos sem festejar o título do Paulistão, tem o Morumbi vazio contra um adversário que passou por grande reformulação no elenco durante a paralisação. Tecnicamente, o Tricolor é bem superior e precisa traduzir isso em campo. Não será fácil. Ainda mais por ser jogo único. Empate leva a decisão para os pênaltis. Quem perder, estará fora.

O jogador Marcos Rocha, da SE Palmeiras, recebe camisa em comemoração aos 100 jogos pelo clube, após treinamento, na Academia de Futebol. (Foto: Cesar Greco)

O Palmeiras também encara um adversário que perdeu vários jogadores durante a pandemia. Mas o próprio Verdão teve perdas, principalmente o atacante Dudu, além dos vários outros que estão lesionados. Mas, pelo investimento bem maior do que o adversário, entra em campo também com a obrigação de vencer. E ainda tem como atração o 100º jogo do lateral-direito Marcos Rocha com a camisa alviverde. Qualquer resultado que não seja a vitória palmeirense, será zebra. E ainda tem a pressão no clube, que não vence o Paulista desde 2008 e que passou todo o ano de 2019 sem sem títulos.

Enfim, tanto para São Paulo quanto para Palmeiras, uma eliminação precoce seria trágico para ambos e um início de crise grande dentro dos dois clubes.