Uma era desastrosa no Morumbi

Rubens Chiri/SPFC

Torcer para o São Paulo, nesses últimos anos, não tem sido uma tarefa fácil, principalmente para os mais apaixonados pelo clube do Morumbi. Ganhar e perder, faz parte. Ficar um certo tempo sem ser campeão, também faz parte. Porém, há muitos anos, o São Paulo parece um clube sem alma. Depois de conquistar o tricampeonato brasileiro de forma espetacular em 2006, 2007 e 2008, o Tricolor sucumbiu. Até ganhou uma Copa Sul-Americana em 2012, mas nem o próprio torcedor ressalta tanto essa conquista.

Nestes últimos anos, foram vexames atrás de vexames. O São Paulo chegou a correr risco de rebaixamento no Brasileirão em duas oportunidades — se salvando na reta final.

Nos clássicos contra os rivais, então, é sofrimento garantido na maioria das vezes. Perder de 6 a 1 para os reservas do Corinthians, em 2015, foi catastrófico para a história do clube que é tricampeão da Libertadores e tricampeão do mundo. Isso sem contar as derrotas constantes contra Palmeiras e Santos. Difícil para o torcedor aceitar.

O São Paulo não consegue se ajustar. No papel, hoje, tem um time até bom, com jogadores como Juanfran, Daniel Alves, Pablo e Alexandre Pato. Mas não emplaca. Em 2018, fez um ótimo Brasileirão com o técnico Diego Aguirre. Porém, a diretoria cedeu às pressões e demitiu o treinador, mais uma vez interrompendo o trabalho.

Agora, resolveu apostar no contestado Fernando Diniz, que assumiu no ano passado e, na prática, nunca convenceu. Perder em casa para um desfigurado Mirassol, levando três gols da equipe do interior, é inadmissível para um gigante do futebol mundial.

Este ano tem eleição no clube. A atual gestão de Carlos Augusto de Barros Silva, o ‘Leco’, é desastrosa. Como já havia sido de Carlos Miguel Aidar, seu antecessor. O lendário Juvenal Juvêncio deixa saudades para o torcedor são-paulino.

O São Paulo não ganha um Campeonato Paulista desde 2005. São 15 anos e, agora, vai para 16. É muita coisa. Nos clássicos, o time parece não ter a gana dos outros tempos. Raí foi um grande craque dentro de campo e um dos jogadores mais importantes da história do clube. Mas,como dirigente, até agora tem se mostrado mais do mesmo em relação aos anteriores dos últimos anos.

O Campeonato Brasileiro de 2020 está aí. E é difícil acreditar que o São Paulo possa brigar na parte de cima. E, na Libertadores, onde já perdeu até para o desconhecido Binacional do Peru, se bobear, corre o risco de cair já na primeira fase — no ano passado, já repetiu o feito do Corinthians e caiu na pré-Libertadores.

O São Paulo precisa de uma gestão séria, sem politicagem. Como era nos anos 80 e 90, quando o clube era tido como um modelo a ser seguido. Enquanto tiver vaidade interna, vai ficar difícil. E o torcedor do Tricolor é quem sofre.

Responsabilidade para São Paulo e Palmeiras no mata-mata

Rubens Chiri/saopaulofc.net

São Paulo e Palmeiras são os dois primeiros grandes do estado a entrarem em campo nesta quarta-feira, pelas quartas de final do Campeonato Paulista de 2020. O Tricolor, às 19h, recebe o Mirassol no Morumbi. Mais tarde, às 21h30, o Verdão recebe o Santo André no Allianz Parque.

A situação dos dois clubes é parecida: ambos têm melhor campanha do que os adversários, ambos têm times bem melhores, ambos têm que mostrar evolução no futebol dentro de campo e são justamente os dois clubes que estão há mais tempo sem ganhar o Estadual.

O São Paulo, do técnico Fernando Diniz, que completa 15 anos sem festejar o título do Paulistão, tem o Morumbi vazio contra um adversário que passou por grande reformulação no elenco durante a paralisação. Tecnicamente, o Tricolor é bem superior e precisa traduzir isso em campo. Não será fácil. Ainda mais por ser jogo único. Empate leva a decisão para os pênaltis. Quem perder, estará fora.

O jogador Marcos Rocha, da SE Palmeiras, recebe camisa em comemoração aos 100 jogos pelo clube, após treinamento, na Academia de Futebol. (Foto: Cesar Greco)

O Palmeiras também encara um adversário que perdeu vários jogadores durante a pandemia. Mas o próprio Verdão teve perdas, principalmente o atacante Dudu, além dos vários outros que estão lesionados. Mas, pelo investimento bem maior do que o adversário, entra em campo também com a obrigação de vencer. E ainda tem como atração o 100º jogo do lateral-direito Marcos Rocha com a camisa alviverde. Qualquer resultado que não seja a vitória palmeirense, será zebra. E ainda tem a pressão no clube, que não vence o Paulista desde 2008 e que passou todo o ano de 2019 sem sem títulos.

Enfim, tanto para São Paulo quanto para Palmeiras, uma eliminação precoce seria trágico para ambos e um início de crise grande dentro dos dois clubes.

Com classificação surpreendente, Corinthians ganha força na briga pelo tetra

Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Poucos acreditavam na classificação do Corinthians às quartas de final do Campeonato Paulista. Afinal, precisava vencer os dois últimos jogos e torcer para que o Guarani marcasse no máximo dois pontos. E exatamente o que aconteceu. O Timão venceu as duas partidas e o Bugre sucumbiu nestes dois jogos.
Assim, uma coisa é certa: a equipe do técnico Tiago Nunes ganha muita força para a reta final do Estadual, onde vai buscar o tetracampeonato. A time alvinegro, apesar das limitações, parece ter voltado a jogar o seu futebol eficiente dos tempos de Mano Menezes, Tite e Fabio Carille. Nestas duas partidas, não sofreu gols. E venceu sabendo se defender bem. O lado ruim é que perdeu o atacante Boselli, lesionado. A princípio, parece ser grave, já que se trata de um trauma no rosto.
Nas conquistas de 2017, 2018 e 2019 já havia acontecido algo parecido, com o Corinthians aproveitando as bobeadas dos adversários para crescer na reta final e abocanhar o título.
O Palmeiras, com um elenco mais qualificado e preparado, mais uma vez foi incompetente no clássico do meio de semana. E, com a derrota, acabou colocando o arquirrival na briga. O Corinthians agora vai encarar o Bragantino, que fez a melhor campanha do campeonato. Apesar do Braga ter a ‘vantagem’ de fazer o mata-mata em ‘casa’, o jogo será em campo neutro, já que Bragança Paulista ainda não poderá receber jogos. E, com a pandemia, não haverá torcedores no estádio. Assim, o Timão vai equilibrar as ações em termos de fator campo e, como tradição costuma pesar nessas horas, tem grandes chances de avançar.

Os outros grandes de São Paulo não estão tão bem. O Santos, que vive crise política e financeira, não conseguiu ainda vencer neste retorno e corre risco contra uma animada Ponte Preta, outro time que se classificou de forma improvável e ainda fugiu do rebaixamento.


O Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo também está longe de empolgar e sofreu para vencer o rebaixado Água Santa em casa. E agora terá o competitivo time do Santo André pela frente.

O São Paulo de Fernando Diniz também ainda está longe do ideal. Porém, vale ressaltar a atuação honrosa dos reservas que venceram o Guarani por 3 a 1 e não entregaram o jogo para prejudicar o rival Corinthians. No aspecto do ‘fair play’, mais um ponto na história do Tricolor. Em campo, o time ainda precisa melhorar muito. E não adianta o treinador dar a entender que os outros clubes não seguiram o protocolo de treinos. Será mesmo que os rivais teriam treinado ‘escondido’ neste período. Convenhamos, não dá para aceitar. Se quiser brigar pelo título estadual, que não vem desde 2005 (e nesses últimos 15 anos não teve pandemia e nem ‘treinos escondidos’ dos rivais’, terá que também evoluir bastante.

Rubens Chiri/SPFC

Chiclete sem Nana, Verdão sem Dudu, Corinthians sem Jô

Despedida de Dudu

‘Chiclete sem Nana, Verão sem calor’. Assim dizia Bell Marques em um dos maiores sucessos da banda Chiclete com Banana. E, adaptando ao clássico entre Corinthians e Palmeiras nesta quarta-feira, na Arena de Itaquera, pelo Campeonato Paulista, dá para incrementar: ‘Verdão sem Dudu, Corinthians sem Jô’.

Será assim o primeiro jogo do Paulistão, após quatro meses de paralisação por conta do novo coronavirus. O Verdão perdeu o seu principal jogador para o Catar – os problemas conjugais do atletas com a ex-esposa aceleraram a saída dele do país. O Timão, por sua vez, contratou de volta o atacante Jô, campeão brasileiro em 2017, mas o atleta não foi inscrito a tempo para o jogo.

E tem mais: o Palmeiras não terá o atacante Rony, que não conseguiu efeito suspensivo após imbróglio que envolve o ex-clube, o Athletico (PR), e não terá o bom zagueiro Gomez, que ainda está no aguardo da renovação de contrato. E o Timão, por sua vez, além de Jô, não terá Cantillo, que se recupera do coronavírus e não tem mais Pedrinho, vendido ao Benfica de Portugal. Além de outros atletas que vão ficar de fora.

Assim, além de não contar com torcida no estádio por conta do vírus, os dois times estarão bastante desfalcados e até desfigurados. Uma pena. Mas emoção não vai faltar em campo.

O atacante Jô

Esta partida, para quem não lembra, é decisivo para o Corinthians no Paulistão. Faltando duas rodadas para o término da primeira fase, o Timão estará matematicamente eliminado em caso de derrota para o maior rival. Um simples empate no clássico já é suficiente para o Timão dar adeus. E, mesmo que vença, terá que torcer para que o Guarani não faça mais do que um ponto nos dois últimos jogos (contra Botafogo, fora, e São Paulo, em casa).

O Verdão, contrário, já classificado, tem uma missão: tentar ficar em primeiro lugar na classificação geral e ter vantagens no mata-mata. Nos últimos três anos, o Corinthians tem se dado melhor nos clássicos com o rival. Agora, com Vanderlei Luxemburgo no Verdão e Tiago Nunes no Timão, vamos ver como as equipes vão se comportar.

De qualquer maneira, a bola vai voltar a rolar. E, o mais importante: que ao menos todos os protocolos de segurança sejam cumpridos à risca. A pandemia ainda não acabou e, pelo visto, ainda estão longe de chegar ao final.

Fórmula 1 voltando à normalidade

Largada do GP da Estíria

A vitória tranquila, praticamente de ponta a ponta, do britânico Lewis Hamilton no GP da Estíria (Áustria) neste domingo coloca a Fórmula 1 de volta ao ‘velho normal’, dentro do ‘novo normal’ da categoria por conta da pandemia do novo coronavírus.

Depois de fazer a pole position debaixo de muita chuva no sábado, o hexacampeão mundial dominou completamente a prova no domingo. Só perdeu a liderança na hora de parar para a troca de pneus, mas rapidamente recuperou e abriu vantagem sobre Max Verstappen e o companheiro de equipe, Valtteri Bottas, que acabou ficando em segundo.

O resultado mostra que o quarto lugar na estreia (seria segundo colocado se não fosse penalizado em cinco segundos no final) foi um acidente. E o maior piloto da atualidade tem de tudo para conquistar novamente o título.

E mais: com o lugar mais alto do pódio neste domingo, acumula 85 vitórias e fica a apenas seis de igualar o recorde do heptacampeão mundial Michael Schumacher. Além de ser forte candidato a igualar o alemão também em títulos.

A temporada promete ser boa este ano, com o arrojado Verstappen tendo uma competitiva Red Bull e o próprio Bottas tentando acompanhar Hamilton.

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Outro ponto positivo neste início de temporada é a competitividade dos carros da Racing Point (antiga Force India), com o mexicano Sergio Perez e o canadense Lance Stroll fazendo boas provas.

Mas o mais bacana é o aparente renascimento da McLaren, que ficou alguns anos na parte de trás do grid e agora está atrás apenas da Mercedes e da Red Bull neste início de campeonato. Aliás, o britânico Lando Norris, que terminou em quinto lugar neste domingo, é o terceiro colocado na classificação, com 26 pontos, atrás apenas de Hamilton e Bottas. E no Mundial de Construtores a equipe que deu três títulos mundiais a Ayrton Senna está em segundo lugar.

Aliás, os pilotos dessas duas equipes proporcionaram disputas e ultrapassagens sensacionais durante a prova na Estíria. Valeu a pena para os amantes do automobilismo.

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Por outro lado a grande decepção é a Ferrari, que teve um final de semana para ser esquecido. No treino, já foi um desastre, com o tetracampeão mundial Sebastian Vettel largando em 10º e o monegasco Charles Leclerc em 14º (perdeu três posições no grid por punição). E, não bastasse isso, o jovem e promissor piloto da categoria cometeu uma lambança logo na primeira curva, batendo o carro no de seu companheiro e tirando os dois da prova. Depois, pediu desculpas publicamente pelo erro.

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A próxima etapa já será no domingo que vem, dia 19 de julho, no circuito de Hungaroring, na Hungria, às 10h10.

Volta apressada, maratona de jogos e risco de lesões

Lance de Botafogo e Fluminense, pelo Campeonato Carioca

No pico da pandemia do novo coronavírus na Alemanha, o país registrou 6.294 casos da doença, no dia 28 de março. Era o auge da quarentena no país. No dia 16 de maio, o Campeonato Alemão foi retomado, após quase três meses sem jogos. Neste dia, foram 620 novos casos confirmados no país. Ou seja, o futebol na Alemanha voltou quando a pandemia no país estava controlada e com queda notória dos casos. Ainda assim, seguiu um rígido e exemplar protocolo de segurança, com jogos sem torcedores, confinamento dos atletas e testagem em massa dos jogadores e comissão técnica. A primeira grande liga europeia que voltou acabou se tornando uma referência.

No pico da pandemia do novo coronavírus na Alemanha, o país registrou 6.294 casos da doença, no dia 28 de março. Era o auge da quarentena no país. No dia 16 de maio, o Campeonato Alemão foi retomado, após quase três meses sem jogos. Neste dia, foram 620 novos casos confirmados no país. Ou seja, o futebol na Alemanha voltou quando a pandemia no local estava controlada e com queda notória dos casos. Ainda assim, seguiu um rígido e exemplar protocolo de segurança, com jogos sem torcedores, confinamento dos atletas e testagem em massa dos jogadores e comissão técnica. A primeira grande liga europeia que voltou acabou se tornando uma referência.

Ainda assim, houve grande aglomeração em outros lugares na Europa, como na Itália (com 5.000 napolitanos nas ruas festejando o título da Copa da Itália) e na Inglaterra (na comemoração do título do Liverpool, após 30 anos), embora também com jogos sem torcida.

Aqui no Brasil, onde o futebol parou em março. E, ao contrário da Europa, os jogos voltaram (no caso, no Campeonato Carioca), com as taxas de contágio em pleno crescimento. Enquanto o Flamengo vencia o Bangu por 3 a 0 no Maracanã, em 18 de junho, o Brasil registrava 22.765 novos casos (além de duas mortes no hospital de campanha ao lado do estádio) – foram mais de 30 mil casos no dia anterior e mais de 50 mil no dia seguinte.

Agora, enquanto o Brasil registra mais de 1.000 mortes por dia (embora os casos estejam se estabilizando, segundo os governantes), a bola vai voltar a rolar nas principais praças esportiva. Paulistão no dia 22 de julho, Gauchão no dia 23 e Mineiro no dia 26. Todos sem torcida e com a promessa de também um rígido controle sanitário nos estádios. Vamos ver. No rio, ao menos, não houve aglomeração – apesar de toda confusão nos bastidores por conta dos direitos de transmissão.

E, com o encerramento dos estaduais em agosto, já vai começar o Brasileirão, no dia 9. Depois, já começa a Copa do Brasil. E em setembro já volta a Libertadores. Em outubro já tem Eliminatórias para a Copa do Mundo. Ou seja, vai ser um jogo atrás do outro. Vale lembrar que os clubes não puderam sequer treinar durante cerca de três meses. E tiveram pouco tempo para uma nova pré-temporada.

Assim, não precisa ser especialista em preparação física para entender o risco que os jogadores vão correr em campo – ainda mais com a sequência de jogos. Se na temporada regular já ocorrem muitas lesões, imagine agora. E a temporada vai longe: vai acabar em fevereiro, depois do carnaval (se é que vai ter carnaval, por causa da pandemia).

E, enquanto mais de 1.000 pessoas morrem por dia no país, a bola vai voltar a rolar. Se vou acompanhar os jogos pela TV? É claro que sim, até por uma obrigação profissional. Mas ainda é um grande contrassenso esse retorno, enquanto a maior parte do país ainda cumpre quarentena.

Só nos resta torcer para que ao menos os protocolos sanitários sejam cumpridos pelos clubes quando a bola voltar a rolar. E, depois, a gente passa a analisar a parte esportiva do futebol.

No pico da pandemia do novo coronavírus na Alemanha, o país registrou 6.294 casos da doença, no dia 28 de março. Era o auge da quarentena no país. No dia 16 de maio, o Campeonato Alemão foi retomado, após quase três meses sem jogos. Neste dia, foram 620 novos casos confirmados no país. Ou seja, o futebol na Alemanha voltou quando a pandemia no país estava controlada e com queda notória dos casos. Ainda assim, seguiu um rígido e exemplar protocolo de segurança, com jogos sem torcedores, confinamento dos atletas e testagem em massa dos jogadores e comissão técnica. A primeira grande liga europeia que voltou acabou se tornando uma referência.

Ainda assim, houve grande aglomeração em outros lugares na Europa, como na Itália (com 5.000 napolitanos nas ruas festejando o título da Copa da Itália) e na Inglaterra (na comemoração do título do Liverpool, após 30 anos)

Aqui no Brasil, onde o futebol parou em março. E, ao contrário da Europa, os jogos voltaram (no caso, no Campeonato Carioca), com as taxas de contágio em pleno crescimento. Enquanto o Flamengo vencia o Bangu por 3 a 0 no Maracanã, em 18 de junho, o Brasil registrava 22.765 novos casos (além de duas mortes no hospital de campanha ao lado do estádio).