Obrigado, Massa!

O décimo lugar no GP de Abu Dhabi, neste domingo, foi o último ponto marcado na carreira de Felipe Massa, que encerra sua passagem pela Fórmula 1 após 15 anos de estrada. E mais: acaba com uma sequência de 48 anos com pilotos brasileiros na categoria – desde que Emerson Fittipaldi estrou na Lotus, em 1970, nunca ficamos sem um representante na categoria.

Foram 11 vitórias e um vice-campeonato mundial (que poderia ser até um título se Fernando Alonso não tivesse participado daquele circo em Cingapura com Nelsinho Piquet, o que acabou mudando o resultado final do campeonato).

Massa era um piloto brilhante? Não, não era. Longe de ser o melhor. Aliás, digo que Rubens Barrichello era muito melhor do que ele e que, pela qualidade, merecia ter ganho uns dois campeonatos na carreira.

Mas, enfim, Massa também teve méritos, teve bons momentos e venceu corridas. Talvez demore anos, ou talvez décadas para o Brasil voltar a ter um piloto vencendo corridas. Me arrisco a dizer a nossa geração corre risco de nunca mais ver um brasileiro competitivo.

No ano que vem, a grande atração vai ser a disputa entre Hamilton e Vettel, dois tetracampeões, em busca do penta. Para quem ama Fórmula 1, como esse humilde colunista, certamente vai valer a pena.

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Mas, claro, que é triste ver a Fórmula 1 sem brasileiros. Principalmente para quem começou acompanhando nos tempos de Piquet na Brabham e Senna na Lotus brigando por vitórias e títulos (sim, estou ficando velho).

A nostalgia é forte. Aqueles domingos com meu pai e meu avô (já falecidos) e meu tio (este bem vivo, mas que faz tempo que não vejo) assistindo corridas. Aqueles tempos em que não era raro ver Piquet ganhando e Senna chegando em segundo (e vice-versa). Aqueles tempos em que meu avô torcia pelo Piquet e, eu, pelo Senna (embora goste muito também do Piquet). Sabíamos que, se não ganhassem o título, ao menos iriam brigar por vitórias (mas os títulos também vieram, e muitos). Tempos em que a diretoria do São José atrasou o horário de um jogo que valia acesso em uma hora (na Série B do Brasileiro de 1992), para que os torcedores pudessem ver o GP do Brasil de F-1 e depois ir ao estádio.

Aquele GP do Japão de 1989, onde o Senna ganhou e o Balestre (na mão grande) tirou aquela vitória no tapetão, foi o meu primeiro GP de madrugada (em 1988, meu pai não deixou assistir, talvez a única coisa de ruim que ele tenha me feito na vida).

Aqueles títulos de 1990 e 1991, também de madrugada, mas comigo muito bem acordado e com o Galvão Bueno gritando “passou reto Mansell, passou reto Mansell” e com o Senna sendo tri mundial. Isso nunca mais vamos ver.

Agora é torcer para surja, logo, um novo piloto brasileiro para a F-1. O mineiro e atleticano Sérgio Sette Câmara, hoje na Fórmula 2, parece um dos mais próximos (ou menos longe) de chegar lá.

 

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