Obrigado, Mário Ottoboni

O futebol de São José dos Campos está em luto. Nesta manhã de segunda-feira, morreu simplesmente o melhor presidente da história do São José. Ele foi o responsável por colocar o antigo Esporte Clube São José na rota do profissionalismo. E, logo no primeiro ano, em 1964, foi campeão da Quarta Divisão paulista. No ano seguinte, foi campeão da Terceira Divisão. Dois títulos nos dois primeiros anos da história do antigo Formigão do Vale. Depois, idealizou a construção do estádio Martins Pereira, feito pensando no time de futebol da cidade, que na época jogava em um acanhado estádio na rua Antonio Saes. E o palco inaugurado em 1970 é, até hoje, um estádio relativamente moderno e bastante confortável para assistir aos jogos de futebol. Isso tudo se deve à iniciativa do senhor Ottoboni, que foi presidente do clube entre 1964 e 1971. Seguramente, ninguém fez tanto pelo futebol da cidade quanto ele.

O clube mudou de nome, virou São José Esporte Clube e adotou a Águia como mascote. Mas o estádio Martins Pereira continuou sendo a casa da equipe. A memória de Mário Ottoboni nunca poderá ser esquecida. Em 87 anos de vida, deixou muitos legados para a cidade, não apenas no esporte.

Pessoalmente, só estive com ele uma vez, na reinauguração do estádio, em 2014, após passar por reforma. Antes, já havia o entrevistado várias vezes por telefone. E, mesmo sem me conhecer pessoalmente, sempre foi extremamente gentil e atencioso.

Fica aqui registrado, nesse momento, essa nossa singela homenagem a esse grande homem do futebol joseense. Obrigado, Mário Ottoboni

Mário Ottoboni na festa dos 48 anos de fundação do estádio Martins Pereira, em 2018. Foto: Divulgação

Ano de frustrações para o futebol da região

O ano de 2018 está terminando. E os times de futebol profissional do Vale do Paraíba não tiveram muito o que comemorar. Talvez o único fato positivo tenha sido a boa campanha do Taubaté na Copa Paulista, onde chegou até às quartas de final e conseguiu montar uma boa base para a Série A-2 do Paulista no ano que vem. Mas, na própria Série A-2 deste ano, o Burro da Central decepcionou. Montou um time para brigar lá em cima, mas acabou terminando apenas em sétimo lugar, eliminado ainda na primeira fase e ainda com direito a uma vexatória goleada de 6 a 1 sofrida fora de casa para o Nacional na primeira fase. O fato é que acabou o ano sem o acesso e sem uma inédita vaga em uma competição de nível nacional.

O São José teve um ano ainda mais dolorido. Pela segunda vez, disputou o martírio da Quarta Divisão do estado e viu o acesso escapar no último minuto, no doído empate por 2 a 2 contra o Comercial em Ribeirão Preto, em outubro. A diretoria da Águia do Vale montou um time para subir, o São José sempre esteve entre os melhores, mas sucumbiu na hora ‘H’. Agora, terá que juntar os cacos em 2019 e começar tudo de novo, em sua terceira participação na última divisão do estado.

O ano também foi ruim para o Manthiqueira de Guaratinguetá. Debutante na Série A-3 do Campeonato Paulista, manteve a base da Quarta Divisão de 2017 e, sem fôlego suficiente, acabou novamente rebaixado para a última divisão, sem apresentar qualquer possibilidade de reação durante o campeonato. É outro que terá que remar tudo de novo se quiser ter uma boa temporada em 2019.

E, finalmente, o Atlético Joseense, que este ano voltou a usar o seu nome original, deixando de lado o ‘São José dos Campos FC’, fez campanha ruim na Quarta Divisão, onde sequer passou da primeira fase.

 

A vitória do time mais regular desta Copa

A França é bicampeã mundial! A vitória por 4 a 2 sobre a Croácia neste domingo, em Moscou, deu o segundo título da história dos franceses, repetindo o feito de exatos 20 anos atrás. E esta conquista foi absolutamente merecida.

Os croatas foram uma grata surpresa nesta Copa de 2018. Fizeram uma excelente campanha, têm grandes jogadores, mas o cansaço das três prorrogações anteriores pesou muito nesta final. E a França, que tem mais camisa (e isso pesa em uma final) e um time mais qualificado, soube muito bem aproveitar.

Em sete jogos, ganhou seis e empatou um. Um equilíbrio muito grande dentro de campo, onde poucas vezes foi realmente ameaçada pelos adversários. E nomes como Griezmann, Mbappé e Pogba – este último fazendo sua melhor atuação individual neste mundial – fizeram por merecer esta conquista.

O time francês vem forte já desde a Copa de 2014, no Brasil, quando caiu nas quartas de final para a Alemanha. Depois, em 2016, poderia ter ganho a Eurocopa em casa, quando foi surpreendido por Portugal na decisão. Agora, conseguiu o triunfo tão desejado.

E o técnico Didier Deschamps consegue um feito que só havia sido conquistado pelo brasileiro Zagallo e pelo alemão Beckenbauer: ser campeão como atleta e como treinador.

Desde o início da Copa, os franceses já poderiam ser apontados como um dos principais favoritos ao título. E, no meio do caminho, ainda teve a vida facilitada pela eliminação precoce de outros gigantes como Alemanha, Espanha e Brasil. Mesmo assim, teve um caminho duro pela frente.

Na primeira fase encarou seleções tradicionais como Dinamarca e Peru. Depois, no mata-mata, venceu todos os adversários no tempo normal, todos eles seleções de respeito: Argentina, Uruguai, Bélgica e, na final, a surpresa Croácia.

O futebol francês vive grande momento. E, ao contrário de 1998, quando tinha muitos atletas veteranos, que não conseguiram uma renovação satisfatória, desta vez a seleção é muito jovem, com talentos que podem continuar brilhando pelos Les Bleus em mais uma ou duas Copas do Mundo.

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Perder um título não é fácil. Por mais que a Croácia fosse uma ‘zebra’, eles não queriam perder. E a decepção dos jogadores era visível após a partida. Eles sabem que, provavelmente, nunca mais essa geração terá outra chance como essa. Um país de 4 milhões de habitantes conseguir chegar a uma final de Copa e desbancar vários times campeões, é muito raro.

Por outro lado, os jogadores estão de parabéns. Devem erguer a cabeça e seguirem em frente. A torcida reconheceu isso e aplaudiu os atletas. A campanha foi espetacular. E o prêmio de melhor jogador da Copa concedido a Luka Modric foi mais do que justo.

E, que venha a Copa de 2022, no Catar.

A melhor Bélgica da história

A Bélgica venceu a Inglaterra neste sábado. Foto: Fifa/Divulgação

O legal da decisão do terceiro lugar na Copa do Mundo é que os times sempre jogam mais soltos, sem muita pressão, embora o resultado, claro, também seja importante. E Bélgica e Inglaterra fizeram um jogo legal de assistir neste sábado de manhã, em São Petersburgo.

E a vitória dos belgas por 2 a 0 consumou a melhor campanha da história deste pequeno país europeu. Até então, o melhor resultado da seleção da Bélgica havia sido o quarto lugar na Copa de 1986, mo México.

Esta é a melhor geração do futebol belga, que já havia ido bem em 2014, no Brasil, quando caiu nas quartas de final para a Argentina. Desta vez, o time que tem nomes como De Bruyne, Lukaku, Hazard, Mertens e outros, conseguiu ir mais longe. Essa geração ainda pode render mais frutos na Copa de 2022.

A Inglaterra alcançou a sua melhor campanha desde a Copa de 1990, na Itália e também tem que sair de cabeça erguida. Com uma geração jovem e promissora, conseguiu fazer uma campanha melhor do que o esperado e sai da Copa com o artilheiro do torneio, Harry Kane, com 6 gols.

Croácia faz história ao chegar à final da Copa do Mundo!

A Croácia, quem diria, está na final da Copa do Mundo! Um país com pouco mais de 4 milhões de habitantes, com uma liga profissional sem nenhuma expressividade e uma região que há menos de 30 anos convivia com guerras, agora pode conquistar um título mundial.

A vitória por 2 a 1, na prorrogação, de virada, sobre a Inglaterra, foi mais do que merecida. O time foi amplamente superior durante todo o segundo tempo e soube se recuperar após tomar o primeiro gol logo aos 4min.

Acho muito difícil que o time croata consiga ganhar da poderosa França na final de domingo, às 12h. Só o fato de chegarem à decisão, já devem comemorar muito. Porém, a Croácia tem um elenco cheio de jogadores de altíssimo nível técnico, casos de Modric e Mandzukic, por exemplo, que atuam em grandes equipes da Europa. Não chegaram na final por acaso.

No final de semana, a Croácia terá também a chance de dar o troco nos franceses, 20 anos depois. Isso porque, quando esteve em seu primeiro mundial, em 1998, o time croata foi eliminado na semifinal pelos franceses – em jogo bastante equilibrado na oportunidade.

Muitos podem torcer o nariz e dizer preferir duas equipes ‘tradicionais’ na decisão. Mas acho fantástico um país novo chegar na decisão. E, em termos de final, já pode ser considerada a maior zebra da história das Copas.

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Já a Inglaterra não deve baixar a cabeça. Claro que perder a semifinal para uma seleção menos tradicional é difícil, mas os ingleses mostram que têm uma geração com potencial, repleta de jovens talentos e que poderão se aprimorar e irem mais fortes em outras Copas. Vale lembrar que a Inglaterra vem fazendo um forte trabalho nas categorias de base (tanto é que foi campeã mundial sub-20) e vem, inclusive, investindo na formação de novos treinadores, além de já ter a liga profissional mais forte e badalada do mundo há muitos anos.

Tudo isso vem se refletindo dentro de campo e o trabalho na terra da Rainha não pode parar por aí. A tendência é evoluir.

Jogadores da Croácia comemoram a classificação para a final da Copa do Mundo. Foto: Fifa/Divulgação

França credenciada a conquistar mais um título mundial

A vitória por 1 a 0 sobre a Bélgica colocou a França em sua terceira final de Copa do Mundo na história. Agora, vai brigar firme pelo seu segundo título mundial – o primeiro foi em casa, em 1998. Independente de quem seja o adversário na final (Inglaterra ou Croácia) os Les Bleus podem ser considerados favoritos.

O time do técnico Didier Deschamps vem jogando o futebol mais eficiente desta Copa. Com exceção do jogo contra a Argentina, quando sofreu três gols na vitória por 4 a 3, em todas as outras a defesa esteve sempre muito bem postada. E o ataque funcionou quando precisou.

O jovem Mbappé, de apenas 19 anos, tem de tudo para ser um dos grandes craques do futebol mundial nos próximos anos. E pode se consagrar caso conquiste o título.

A França soube se impor diante de um forte time belga na terça-feira. Criou as melhores oportunidades e foi melhor em campo durante a maior parte do tempo.

Classificação emocionante da Croácia

Lance da partida entre Rússia e Croácia. Foto: Divulgação

A Croácia já vai ao menos repetir a sua melhor campanha na história das Copas. Com a vitória sobre a Rússia nos pênaltis, após empate por 2 a 2 (1 a 1 no tempo normal e 1 a 1 na prorrogação), os croatas repetem o feito de 1998, quando chegaram à semifinal. Naquele ano, perderam para a França, dona da casa. Desta vez, eliminaram os donos da casa.

O país que já fez parte da antiga Iugoslávia fez uma grande campanha na primeira fase, com direito a um 3 a 0 sobre a Argentina. Na fase de mata-mata, por duas vezes precisou dos pênaltis para se classificar. Porém, mostrou muita qualidade.

O time de Modric, Vida, Raktic, Mandzukic e companhia tem talento e recurso técnico. Vai dar trabalho para a Inglaterra na semifinal.

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A Rússia, dona casa, não tem que sair triste. Ao contrário. Pelo time que tinha e por toda a desconfiança inicial, acabou fazendo bonito e ainda foi longe na Copa. Entre outras coisas, eliminou a poderosa Espanha. Nada mau para quem temia dar vexame dentro de casa.

Agora, é manter o trabalho e se reforçar para a Copa do Mundo de 2022, no Catar.

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Com a vitória da Croácia, agora as semifinais estão completamente definidas. Na terça-feira, às 15h, França e Bélgica fazem o duelo de dois times tidos como forças neste mundial. E, no outro lado, a Inglaterra pega a Croácia, quarta-feira, no mesmo horário.

Uma coisa é certa: ou teremos um novo bicampeão mundial (Inglaterra ou França) ou teremos um campeão inédito (Bélgica ou Croácia). Agora, é esperar para ver.

 

É dia de festa na terra da Rainha

Lance do jogo entre Suécia e Inglaterra, neste sábado. Foto: Divulgação

A Inglaterra, após 28 anos, chega a uma semifinal de Copa do Mundo. Os ingleses tiveram mérito na vitória por 2 a 0 sobre a Suécia, neste sábado, e mostraram que têm potencial para chegar longe, ainda mais que as grandes potências como Brasil, Alemanha, Espanha, Uruguai ou Argentina ficaram pelo caminho.

Neste sábado, o tradicional jogo aéreo foi decisivo para o English Team. Um gol de cabeça em cada tempo definiu o placar. A Suécia teve duas grandes chances no segundo tempo e, em ambas, o jovem goleiro Pickford, do Everton, defendeu com maestria.

O time comandado pelo técnico Gareth Southgate tem um padrão de jogo definido. E até mesmo quando o artilheiro Harry Kane não foi bem, os demais conseguiram dar conta do recado.

Não é um super time, mas é um time competitivo. E que já vai para a semifinal como favorito contra o vencedor de Croácia e Rússia. A última vez que o time da terra da Rainha chegou à final da Copa foi em 1966, quando inclusive ficou com o título – único até agora.

Quanto à Suécia, a equipe escandinava fez uma excelente participação na Copa. Mas contra a Inglaterra não teve atenção nas jogadas aéreas e não aproveitou as chances que teve. Inclusive, não teve força para pressionar como deveria, em busca da reação.

De qualquer maneira, já faz a sua melhor campanha em Copas desde 1994, quando foi até às semifinais, quando perdeu para o Brasil por 1 a 0.

O trabalho tem que continuar!

A derrota do Brasil para a Bélgica foi doída. Em uma Copa do Mundo onde tantos gigantes caíram pelo caminha, existia a expectativa muito grande de que a Seleção Brasileira poderia chega ao hexacampeonato. Faltavam três partidas. Mas o time parou no forte time da Bélgica, que envolveu o time canarinho no primeiro tempo e, após o segundo gol, lembrou até um pouco alguns momentos do fatídico 7 a 1 sofrido para a Alemanha na Copa do Mundo de 2014.

O time não tinha um futebol brilhante, mas era seguro e consistente. Poderia ter ido longe. Mas o primeiro tempo desastroso colocou tudo a perder. Uma pena. Ao menos lutou muito no segundo tempo e, por pouco, não consegue o empate no final.

Agora, com os ânimos mais tranquilos, é importante agir com serenidade. Uma dessas ações é manter o técnico Tite no comando do time. Vale lembrar que ele assumiu no meio do ciclo da Copa do Mundo, já em 2016, quando o time estava muito mal nas Eliminatórias, com Dunga, e corria sério risco de ficar de fora do Mundial.

Tite chegou, arrumou a casa e, rapidamente, o Brasil deslanchou e garantiu, com sobras, a vaga na Copa do Mundo. Em dois anos, foram apenas duas derrotas do time sob comando do treinador gaúcho.

Entendo – e parece que a CBF entende também – que o trabalho precisa ter uma continuidade. Até porque hoje não há ninguém à altura de Tite para assumir a equipe. Se alguns jogadores, como o astro Neymar decepcionou, outros ainda podem evoluir muito. Casos de Gabriel Jesus, Philippe Coutinho e Roberto Firmino, por exemplo. Isso sem contar os outros nomes que vão surgir com certeza nos próximos quatro anos.

Tite é muito inteligente, organizado e dedicado ao trabalho. Não pode parar por aí. Se o Brasil quiser buscar o hexa na Copa de 2022, no Catar, já tem que começar a se planejar desde já. E esse planejamento passa, necessariamente, pela continuidade do treinador no cargo.

O técnico Tite após a derrota para a Bélgica. Foto: Fifa/Divulgação

França esbanja eficiência e segue forte na Copa

O Uruguai havia vencido os quatro primeiros jogos da Copa do Mundo da Rússia e sofrido apenas um gol. Mas, nesta sexta-feira, não foi páreo para o bom time da França, que venceu por 2 a 0 e foi às semifinais, no caminho de Brasil e Bélgica.

Os franceses mostraram frieza e eficiência para abrir o placar no primeiro tempo. Na etapa final, o goleiro Muslera viveu um momento de infelicidade, ao tomar um frango em chute de Griezmann. Paciência. Faz parte do futebol.

A Celeste Olímpica se abateu demais em campo e não conseguiu reagir, mesmo tendo ali mais de 25 minutos de jogo para tentar alguma coisa. De qualquer maneira, fica registrada a boa campanha do time que não vence uma Copa desde 1950 e que sentiu bastante a ausência do atacante Cavani, lesionado. Ao menos, a torcida sul-americana mais uma vez deu show nas arquibancadas do estádio, aplaudindo e cantando para o time mesmo com a derrota.

Já os vencedores estão cada vez mais fortes. Mesmo sem apresentar um futebol dos mais brilhantes, a França tem muitos jogadores de altíssima qualidade e que podem resolver a qualquer momento. Foi isso que se viu contra o Uruguai. É, sem dúvida, o mais forte time francês desde a Copa de 1998, quando foram campeões dentro de casa.

Pogba, um dos destaques do time francês. Foto: Divulgação