Vai ter suco de laranja, sim senhor!

Na Copa de 1974, a Holanda encantou o mundo com o seu futebol envolvente. O ‘Carrossel’ jogava diferente de todos e, de forma surpreendente, chegou à final contra a Alemanha. Perdeu o título, mas ganhou o mundo com o trabalho do técnico  Rinus Michels. A cor do uniforme ainda rendeu o apelido de ‘Laranja Mecânica’.

Essa história também inspirou o abnegado e idealista Dado Oliveira, que em 2011 colocou o AD Manthiqueira de Guaratinguetá em campo pela primeira vez, no Campeonato Paulista da Quarta Divisão. O uniforme da cor laranja era uma homenagem àquele time da década de 70. Os recursos eram (e ainda são) escassos. Mas o trabalho era duro.

O time apostou na técnica Nilmara Alves, uma das poucas mulheres a se habilitarem no futebol masculino. Ela ficou no clube por cinco anos. Por compromissos profissionais, deixou o comando em 2017, mas o jovem Luís Felipe Camargo, em seu primeiro trabalho como comandante, deu continuidade.

E aquele time que ficou conhecido no país todo pela técnica mulher e também pela cartilha do ‘fair play’ acabou coroado neste sábado. A vitória por 3 a 1 contra o União de Mogi das Cruzes fez renascer o orgulho do futebol na terra do Frei Galvão.

Agora, a Laranja Mecânica do Vale do Paraíba está na Série A-3 do Campeonato Paulista em 2018. Deixou até o São José para trás – a Águia do Vale vai ter que disputar de novo a última divisão no ano que vem. Mas, isso já é uma outra história.

O fato é que o trabalho duro, com poucos recursos e insistente de Dado Oliveira, o presidente da equipe, o time chegou longe. Agora, vai precisar se estruturar para rumar a caminhos mais longos.

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A Esportiva de Guaratinguetá sempre foi o grande time da cidade. Disputou a Série A-1 do Campeonato Paulista na década de 1960 e chegou a ganhar do Santos de Pelé. Mas, em 1998, saiu de cena e fechou as portas com dívidas impagáveis.

Surgiu, então o Guaratinguetá. O clube-empresa logo subiu da Quinta Divisão para a Série A-1 do Paulista e ganhou a torcida local. Foi até campeão do Interior em 2007, disputou a Série B do Campeonato Brasileiro e até mesmo a Copa do Brasil. Era um exemplo de gestão.

Mas, em 2010, cometeu o erro bizarro de mudar de cidade e ir para Americana, após briga com a Prefeitura. Voltou um ano depois, mas o estrago já estava feito. Passou a ser visto com desconfiança por parte da torcida. Novamente começou a mandar jogos em Londrina, Limeira e até mesmo no Paraná, quando fez parceria com o Atlético Paranaense. Em 2017, o Tricolor do Vale, que estava havia sido rebaixado para a última divisão, decidiu nem disputar o campeonato. Sumiu de vez.

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O Manthiqueira, que surgiu em 2011, também sob a desconfiança de muitos torcedores, foi aos poucos ganhando a confiança da cidade. Não vai para outro lugar. Não vai sair da região. Aliás, o próprio estatuto do clube proíbe isso. Agora, é torcer para que a cidade abrace mais o time e que possa continuar dando orgulho e alegria para a cidade de Guaratinguetá. Parabéns a todos pelo trabalho fantástico realizado este ano.

Agora, vai um suco de laranja aí?

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